MEZ CAIS

22:53

O meu 'Mingau' fazia anos nessa semana e por mais que procurássemos, não encontrávamos um local onde reunir 7-8 pessoas, com boa comida e barata. Inicialmente estava previsto irmos ao Koppu, mas tendo em conta que o consumo médio ronda os 18€ e que ficava demasiado longe do pub ao qual iríamos a seguir (apesar de termos acabado por não ir lá por estar demasiado cheio por causa do jogo do Benfica), teríamos de encontrar uma solução.
Depois de spammar 'Mingau' com mais de 20 sugestões diferentes de sítios e comidas variadas, ele, muito sabiamente, escolheu uma delas e no final da tarde estávamos parados à porta para entrar no restaurante.


 © Zomato

  © Zomato

O espaço é acolhedor - que é como quem diz, um bocado apertado (nessa mesma noite, havia outro aniversário, que original) -, com uma decoração muito dentro do tema e bastante cativante. Fiquei bastante entretida com os bonequinhos de luchadores libres colados à parede. Não consegui contá-los; já tinha bebido um shot de tequila de estômago vazio. No ragrets.

 © Zomato

Falando na tequila: foi uma das coisas que pedimos para entrada, juntamente com totopos com guacamole. Meus senhores, aquele guacamole era divinal. Ainda hoje sonho com isso. E a minha única referência de comida mexicana é o Guacamole no Centro Comercial Colombo. Sim, vá, eu sei, que vergonha, já devia ter ido a sítios melhores; ou pelo menos que não sejam tipo fast food. Mas como costumo dizer: no money, no vices. Há que saber escolher quando (e quanto) gastar em comida. Mas voltando à tequila. Fiquei mesmo surpreendida. Primeiro porque foi a primeira vez que bebi tequila e estava à espera de um sabor mais amargo, quase como a vodka. Segundo porque acreditava piamente que se bebia à americana (e aparentemente também à portuguesa), lambendo o sal, bebendo o shot e chupando a lima. Afinal a forma tradicional de beber tequila é colocando canela numa fatia de laranja, chupá-la e depois beber o shot. Tiro e queda, começámos bem a noite.

 © Raquel Aguiar

O grupo era bem composto, 7 pessoas numa mesa para 6. Um deles quase valia por dois e a moça queria enfiá-lo na cabeceira da mesa encostada a uma parede. Não sei, se calhar conhecia truques que nunca tínhamos visto antes. Lá acedemos a ficar naquela mesa, visto que as outras aparentemente já estavam reservadas. Após devoradas as entradas, chegaram então os pratos principais. Com muita pena minha não pedi burrito. Já tinha provado antes (ok, no Guacamole, mas são bons!, eu pelo menos babo-me toda a comer e não é porque são pouco práticos, apesar de já lhe ter apanhado o jeito) por isso pedi tacos, na ilusão de que seriam estaladiços. Não eram. Senti-me enganada. Mas a verdade é que os tacos originais são tortilhas bem molinhas (passo a expressão) que só o recheio é que compensa. Pedi o sortido para ter oportunidade de provar mais variedade, mas nem isso me safou porque o taco rés e taco camarón deixaram muito a desejar quanto ao sabor (se calhar era falta de molho em cima, mas só podendo escolher entre salsa de tomate um pouco adocicada e salsa de pimentos habaneros para deixar a boca em chamas, bom, preferi comer com o guacamole em cima). A acompanhar pedi um virgin mojito, para parecer chique mas sem comprometer mais ainda a minha sobriedade. Estava bastante fresco e suficientemente doce para me manter mais interessada em beber o refresco que em acabar os tacos.

 © Raquel Aguiar

Depois da desilusão dos tacos, já nem estava a pensar em sobremesa, o que, para quem me conhece, é uma atitude irreconhecível da minha parte. Mas quando a moça sugere a tarte de chocolate com malaguetas, que tinha um aspecto tentador, não pensei mais nisso. Pedi a fatia para dividir com o meu 'Mingau' e ainda tive de lutar com ele pelo último pedaço, porque de facto estava de se lhe tirar o chapéu. O que me deixou um bocado confusa foi a expressão de recusa ameaçadora que o chefe fez ao empregado quando este lhe foi perguntar se nos podia vender meia fatia de tarte. Acho que estava a ponderar correr connosco à chumbada, mas ainda não tínhamos pago o jantar.

 © Raquel Aguiar

Com tudo isto, posso apenas dizer que tenho algum interesse em lá voltar, mas só se for para petiscar, porque aquele maravilhoso guacamole era uma viagem espiritual orgásmica de sabores que me fizeram ir às lágrimas.

Classificação: 3.5/5

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